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ONU: Conselho de Segurança rejeita proposta russa de condenação ao ataque

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu rejeitar neste sábado (14/04), a proposta da Russia de condenar a ação militar contra ocorrida nesta madrugada e coordenada pelos EUA com forças do Reino Unido e França, a instalações de produção de armas químicas na Síria.

Desta forma, o CS da ONU fracassou uma vez mais em chegar a um entendimento sobre como lidar com a Síria e, paralisada, a entidade internacional já teme que a situação entre as potências “saia de controle”.

Para o presidente Vladimir Putin, o ataque foi um “ato de agressão”, deixando claro na ONU que consideraria a iniciativa como uma violação das regras internacionais e com repercussões militares. No Conselho de Segurança, o embaixador russo, Vassili Nebenzia, apresentou um texto para votação no qual falava de uma “condenação à agressão” contra a Síria. O projeto ainda pedia o fim “imediato” de qualquer operação.

Para o Kremlin, o Ocidente comete “hooliganismo diplomático”, promove um “desdém cínico” ao ignorar o Conselho de Segurança e “chorava lágrimas de crocodilo” pelas vítimas sírias.

O discurso de Nebenzia foi duramente criticado pelos aliados de Washington. O governo britânico indicou que “não aceitava ouvir aulas da Rússia”, enquanto a diplomata americana, Nikki Haley, alertou que novos mísseis estavam “carregados e prontos serem disparados”, caso Bashar Assad volte a usar armas químicas.

Ao final do debate, apenas Rússia, China e Bolívia apoiaram o texto, que teve oito votos contrários e três abstenções. A resolução precisava de pelo menos nove votos a favor para ser aprovada.

Para diplomatas, o resultado refletiu uma vez mais a profunda divisão no órgão mais poderoso da ONU, paralisado sobre como lidar com a pior guerra do século 21. Mesmo sem uma resolução comum e um acordo, a reunião deixou claro que os ataques do Ocidente ocorreram sem a autorização do CS, uma violação das regras internacionais.

Nos bastidores, a ONU teme que o ataque, ainda que tenha sido focado, possa abrir uma caixa de Pandora no Oriente Médio, acionando diferentes alianças e obrigando grupos específicos a dar respostas locais para reforçar seus controles em diferentes regiões. O resultado, segundo pessoas próximas à cúpula da ONU, seria a transformação do território sírio em um terreno de combate entre as potências, com um impacto para além de suas fronteiras./AE

 

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