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O efeito manada nos negócios

Não canso de me espantar com um erro que muitos empreendedores praticam: entrar na “modinha” dos outros.

Ao longo dos anos já vimos vários ciclos de modismo: videolocadoras, lan-houses, boi gordo, brigaderias, hamburguerias, paleterias, casas de bolos, food trucks, e a lista vai e vai. Eu tento imaginar por que isso acontece. Será o efeito manada, deveras difícil de escapar? O sedutor canto da sereia, de ganhar dinheiro fácil?

Sempre tive ojeriza a ser mais um no bando. Talvez esse mecanismo de autodefesa tenha me mantido longe das modinhas. É bem verdade que isso não me livrou de quebrar a cara algumas vezes. Mas quebrei com ideias próprias e isso é muito importante no aprendizado de empreendedorismo.

Minha dica de negócios é sempre a mesma: fazer algo que tenha valor pessoal, além do negócio em si. O caminho criativo, a vanguarda, a ideia original, tudo isso é valor em estado puro! Pode até dar errado, mas se der certo, as oportunidades são muito maiores: um mercado inicial livre de concorrência, sempre um ou dois anos à frente dos demais.

Nem tudo são flores, porém. Se você é dos que criam, saiba desde já que você será copiado, adulterado e, eventualmente, até melhorado. Tem que aprender a viver com isso, ou vai sofrer muito. O seu negócio deu certo? Se prepare para o aparecimento dos copiadores, as “manadas” que acabam com o pasto verde e secam a água. Às vezes, eles instalam a nova empresa a poucos metros uma da outra, sem se preocupar em fazer uma pesquisa para saber se o mercado e o bairro comportam mais um negócio igual.

Outras vezes ainda, copiam todos os detalhes do empreendimento – sequer se dão ao trabalho de tentar buscar uma solução diferente, uma identidade própria, um estilo, um diferencial. Resultado: o negócio copiado não prospera tanto quanto os que o inspiraram. Pior: cria concorrência predatória com os inspiradores. Está cheio de casos em que afundam todos, inspiradores e copiadores.

Por isso, fica o alerta: imitar os outros pode até ser mais cômodo a princípio, mas é um mau negócio a longo prazo, porque satura o mercado. E em mercado saturado, ninguém se dá bem.

Se é para fazer um novo negócio, tente que ele seja isso: novo. Não necessariamente uma invenção do zero, porque isso talvez não exista, mas no sentido de ser diferente, especial, original, único de certa forma, que represente sua identidade. Porque de empresas parecidas, o cemitério do mundo dos negócios está cheio.

Ivan Primo Bornes ([email protected]) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (pastificioprimo.com.br)

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