/Nova Russas: o atraso no pagamento dos garis revela outros graves problemas. Por Reginaldo Silva

Nova Russas: o atraso no pagamento dos garis revela outros graves problemas. Por Reginaldo Silva

Outro dia estava na porta de um banco da cidade quando passou uma única varredora de rua fazendo seu trabalho. Por intuição jornalística resolvi perguntar onde estavam seus companheiros de labuta. Ela respondeu que eles não apareceram porque já estava completando três meses de salários atrasados. Ela disse ainda que a empresa reclamava da falta de pagamento por parte da prefeitura e quando eles garis iam na prefeitura diziam que era com a empresa. Dupla maldade com a classe trabalhadora.

Nesta terça-feira (13/11), na rádio Seara de Nova Russas, representantes sindicais do SEEACONCE      (Sindicato de Empregados e Empresas de Asseio e Conservação, Locação e Administração de Imóveis, Comerciais, Condomínios e Empresas Públicas do Estado do Ceará) se comoveram com o problema dos garis e estão na cidade para tentar ajudar a solucionar a situação caótica em que vive os trabalhadores da limpeza pública do município.

E de quem é a culpa? A culpa é nossa. Da sociedade que escolhe seus representantes, que não se comove com a dor do outro, dos intelectuais que se omitem em defender os menos favorecidos, da imprensa que não cobra uma solução, da classe política que não fiscaliza, do Ministério Público que precisa ouvir mais a voz que clama das ruas. Enfim, somos todos culpados pelas necessidades e vexames que os garis estão passando.

Como se não bastasse, além dos garis trabalharem sem receber, ainda trabalham sem os         Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que a NR 6 obriga as empresas a fornecerem aos empregados, gratuitamente e sempre em perfeito estado de conservação e funcionamento, destinados a garantir a proteção de riscos e ameaças a segurança e a saúde do trabalhador.

Além do atraso de salários, da falta de equipamentos que garantam a segurança dos trabalhadores, existe a falta de fiscalização. Ninguém se sensibiliza com o problema. Os conchavos políticos, os chamados acordões, são mais importantes e relevantes do que a dor de quem luta pelo salário que assegura sua sobrevivência.

Infelizmente o ” Novo Tempo” anunciado até aqui, não trouxe nada de novo.

Esperamos que o Ministério Público, como fiscal da lei, chame o feito a ordem e restabeleça a normalidade na vida desses valorosos profissionais da limpeza pública. Que a Câmara Municipal abra uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as irregularidades do caso. E que a justiça fique atenta para que nenhum desses trabalhadores sejam punidos por estarem cobrando seus direitos.

Esperamos que na próxima eleição, sejamos mais justos, em que cada cidadão e cidadã também possam fazer à sua limpeza eleitoral. Finalizo, relembrando o imortal Nelson Rodrigues: “A liberdade é mais importante do que o pão.”

 

 

 

 

Deixe Sua Mensagem