/Ciro Gomes: “É uma questão de decência que Bolsonaro esclareça o caso Queiroz”

Ciro Gomes: “É uma questão de decência que Bolsonaro esclareça o caso Queiroz”

Em entrevista concedida ao El PAIS, ao jornalista Florestan Fernandes Junior, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) afirmou que o discurso de posse de Jair Bolsonaro (PSL) foi “um arroubo de palanque que parte da premissa da ignorância do povo”.

De acordo com o ex-ministro, Bolsonaro julga a capacidade de raciocínio do povo brasileiro: “Ele supõe que o povo é burro, incapaz de saber o que é socialismo. E, ao afirmar isso, esconjura na palavra socialismo todo o ranço conservador, que tem dois planos: conservadorismo de costumes e conservadorismo econômico. É uma tragédia, porque significa que o camarada, ao iniciar o Governo, anuncia que vai permanecer no palanque. Fica dizendo bobagens superficiais e se afirma num antipetismo também superficial”, avaliou Ciro.

Quando questionado sobre o caso envolvendo o assessor do filho do presidente que coloca a família Bolsonaro no centro de supostos casos de corrupção, Ciro foi enfático: “É imperativo, especialmente para quem assentou na sua identidade o moralismo e que tem a presença simbólica do (Sérgio) Moro, um juiz exibicionista, chibata moral da nação. E tem coisas práticas: Bolsonaro, como deputado, já malversou verba do seu gabinete. O caso do Queiroz, agora, trata-se de uma notícia crime em potencial. É uma questão de moral e de decência esclarecer isso. Até porque esta foi a pedra angular da campanha que deu ao Bolsonaro o mandato como presidente. Se Bolsonaro emprestou dinheiro ao tal Queiroz, cadê o cheque? Que dia foi? Essa foi uma nova operação Uruguai como a do Collor? Foi antes ou depois do escândalo, para tentar cobrir o episódio? Se foi um empréstimo, de onde saiu o dinheiro do Bolsonaro para emprestar? São coisas concretas relativas ao presidente. Sérgio Moro está obrigado a esclarecer isso à nação brasileira. Eu quero dar um tempo. Não quero ser um trombeteiro que nem um petista raivoso, que é o tipo mais parecido com um bolsominion. Deixa o Bolsonaro tomar pé das coisas. Mas daqui a uns 100 dias, tenho toda uma plataforma por onde vou começar a cobrar. Porque foi este o papel que a nação deu a mim. O papel da oposição é estimular Bolsonaro ao jogo democrático, obrigá-lo a seguir a institucionalidade democrática.” Finalizou Ciro Gomes.

 

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